Sempre que alguém quer comparar um desastre económico, recorre-se com abundância à Grande Depressão. E eu não sou excepção.
O gráfico seguinte mostra a evolução percentual do produto interno bruto real do Reino Unido e da Itália comparando com o PIB dos anos 1929 e 2008. Os dados para 29-36 foram calculados a partir da base de dados do Angus Maddison, e os dados para 08-15 da base de dados do FMI (Setembro, 2011).
O que vemos é que oito após da eclosão da Grande Depressão, a Itália já tinha crescico 6,9% e o Reino Unido 13%, e que demoraram 5 e 6 anos a regressar ao nível de 29.
Em contraste, temos que segundo as previsões do FMI, o PIB italiano nem volta ao nível de 2008 volvidos oito anos (2015). O Reino Unido está previsto regressar ao nível de 2008 este ano; e no mesmo intervalo de oito anos em que saia 13% mais rico da Grande Depressão, apenas sai desta Grande Recessão 6,8% mais rico.
Eu nem me preocuparia muito com isto, caso os produtos destes países estivessem perto do potencial, mas não é esse o caso.
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| Fonte: AMECO |
Passados tantos anos, o Reino Unido e a Itália ainda continuam a uma distância considerável do seu produto natural. E quem diz Reino Unido e Itália, diz França, Estados Unidos, Irlanda, Portugal, Grécia e a maioria mundo desenvolvido. Com cada ano que passa, o país desperdiça recursos que podiam estar empregues a produzir riqueza, contribuindo para o apaziguamento do pânico dos mercados financeiros e bem-estar dos seus cidadãos.
A perduração deste desvio colossal e prolongando deve-se a uma política económica inadequada. Na verdade, adversa. Quando os Estados-Membros da União Europeia decidiram dar prioridade única e absoluta à resolução da crise da dívida pública através da austeridade, condenaram-se a uma recuperação lenta e dispendiosa, com uma política que só a dificulta.
Às tantas, a Grande Recessão ainda nos sairá mais cara que a Grande Depressão.


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