terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Terça-Feira, parece que é a minha vez de (começar) publicar.
Antes de mais, o meu nome é Ricardo, tenho 20 anos e sou estudante de Economia do ISEG.
Deixo-vos uma pequena história que eu criei, a que eu chamo "Zé, uma história portuguesa".

            Zé era uma criança pobre, que viveu durante muito tempo com o Avô. Durante esse tempo, Zé não tinha direito a muitos dos doces que os seus vizinhos desfrutavam, mas não se queixava muito (com excepção de umas birras pontuais), pois não tinha muito contacto com as crianças vizinhas e o seu Avô também não esbanjava o dinheiro que recebia dos seus terrenos herdados. Viviam uma vida austera, devido à avareza do Avô.
            Um dia, o Avô morreu e o pobre Zé regozijou pois assim ficou sobre a custódia tanto do seu Pai como de alguns dos seus Tios, que durante a vida do Avô, viveram afastados em clandestinidade.
           O Pai, satisfeito com a sua nova situação e pressionado pelos Tios mais radicais, resolveu dar ao pequeno Zé, os doces que ele tanto ansiara, o que fez novamente as delícias do filho.
            Apesar de com a morte do Avô, o Pai ter perdido os rendimentos dos terrenos herdados, este pôde continuar a dar ao seu filho os doces que ele tanto apreciava, muito devido às poupanças que o Avô deixara. Enquanto havia dinheiro, a situação era de prosperidade e tanto o Pai como o Zé engordavam com o novo clima familiar.
            No entanto, houve alturas em que o dinheiro começou a escassear, levando a que o Pai tivesse que pedir ajuda financeira a Agiotas forasteiros, que lhe emprestaram dinheiro de forma a o Zé pudesse continuar a viver a sua vida como ele desejava. No entanto esses empréstimos levaram a que os credores exigissem disciplina nos gastos da família e portanto o Pai teve que pontualmente cortar em alguns doces que dava ao filho.
           A situação resolveu-se, mas passado uns tempos voltou a repetir-se, com as mesmas consequências.
            O Pai do Zé, entretanto, foi fazendo amizade com alguns dos vizinhos do Prédio (ao contrário do Avô, que preferia manter a distância), levando a que houvesse trocas de contactos e reuniões casuais entre os moradores.
Numa dessas reuniões, foi acordado entre os Pais a criação de um Infantário para melhor educar os seus filhos. Este Infantário tanto era um sinal de união como um sinal de prestígio para os Pais.
Apesar dessas mais-valias, a criação do Infantário acabaria por retirar um pouco de autoridade aos Pais na educação dos filhos. Mas a generalidade dos moradores do Prédio aceitaram a decisão.
Com o passar do tempo, os sinais de optimismo iniciais foram perdendo força, à medida que as crianças mais fortes à partida foram ficando mais vigorosas, com grande destaque para o Friedrich, enquanto as crianças mais franzinas como o Zé e o Giorgios continuaram a ser cada vez menos resistentes. Outras crianças que se foram deteriorando com a entrada no Infantário foram o Pablo e o Giovanni.
No entanto a situação só descambou, quando uma criança de outro bairro, o Michael (que era bastante conhecido e respeitado entre os outros, apesar da sua apetência para maltratar crianças que têm Pais autoritários, em especial se estes forem Mouros ou Vermelhos), apanhou uma grave doença, que acabou por contagiar as crianças todas, em especial as do Infantário.
Rapidamente todos os Pais trataram do remédio para os seus filhos doentes, mas apesar de evitarem momentaneamente a doença, alguns dos filhos ressentiram-se com o remédio usado, em especial o Giorgios, o Seamus e o Zé.
O problema veio quando os Pais dessas três crianças se aperceberam que não tinham dinheiro para o remédio e portanto teriam que pedir dinheiro emprestado aos Agiotas forasteiros de forma a manter as suas crianças saudáveis. Mais uma vez estes, exigiram que os Pais tivessem maior contenção nos gastos, sendo ainda agravado pela permanência dos filhos no Infantário. E para tal, cortaram em muitas das regalias a que os filhos estavam habituados, levando a muitas birras piegas por parte destes.
O Zé, foi o último dos três a sofrer as consequências, mas sente bastante a aparente mudança de atitude do seu Pai, fazendo-lhe lembrar em parte o Avô falecido.
Esse descontentamento do Zé tem vindo a ser agravado nos últimos tempos, ao ouvir conselhos dos seus Tios a dizer que a situação em que está, é culpa do Pai e da sua submissão aos agiotas estrangeiros.
Vivem-se tempos complicados e o Zé já não sabe se deve continuar a ser sacrificado para agradar o seu Pai, se deve ouvir o conselho dos Tios, ou simplesmente sair do Infantário e começar uma vida nova.   

Espero que desperte discussão entre membros e não só.
RM

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